quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quanta coisa

Não apareço por aqui, já faz um bom tempo.

Uma correria só, a minha vida. Aliás acredito que a de todos nós.

Como eu gostaria de ser mais disciplinada e conseguir ficar por aqui com mais frequência. Como vocês conseguem?

Obrigada a aqueles que por aqui passaram e deixaram uma mensagem.

Vou visitar a todos, aos poucos.

Uma beijoca e boa semana

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Minha Amada Imortal

7 de julho

Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam meus pensamentos em você, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho me é possível, ou inteiramente com você, ou completamente sem você. Quero ir bem longe até que possa voar para os seus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar minha alma ao reino dos espíritos envolta em você. Você concordará comigo, tanto mais conhecendo minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca...

Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim? Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Você, amor, me tem feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo de que preciso de uma certeza em minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento? Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que você receberá a carta em seguida.

Fique tranqüila. Contemplando com confiança nossa vida alcançaremos nosso objetivo de vivermos juntos. Fique tranqüila, queira-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em você, em você, em você, minha vida, meu tudo! Adeus, queira-me sempre! Não duvide jamais do fiel coração de seu enamorado Ludwig. Eternamente seu, eternamente minha, eternamente nossos.

Trecho da carta a Amada Imortal, encontrada após a morte de Beethoven, juntamente com o "Testamento Heiligenstadt" é composta de duas páginas duplas escritas em ambos os lados.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Amor sincero

"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."


William Shakespeare

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Bilhetinho

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Amar

Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

(Mário Quintana)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Versos

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

(Florbela Espanca)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Soneto de Devoção (Vinícius de Moraes)

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os Versos Que Te Fiz

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

(Florbela Espanca)

No Meio da Noite

Acordei meu bem pra lhe contar meu sonho:sem apoio de mesa ou jarro eramas buganvílias brancas destacadas de um escuro.Não fosforesciam, nem cheiravam, nem eram alvas.Eram brancas no ramo, brancas de leite grosso.No quarto escuro, a única visível coisa, o próprio ato de ver.Como se sente o gosto da comida eu senti o que falavam:"A ressurreição já está sendo urdida, os tubérculosda alegria estão inchando úmidos, vão brotar sinos." Doía como um prazer. Vendo que eu não mentia ele falou:as mulheres são complicadas. Homem é tão singelo.Eu sou singelo. Fica singela também.Respondi que queria ser singela e na mesma hora, singela, singela, comecei a repetir singela.A palavra destacou-se novíssimacomo as buganvílias do sonho. Me atropelou. O que foi? - ele disse. - As buganvílias...Como nenhum de nós podia ir mais além, solucei alto e fui chorando, chorando,até ficar singela e dormir de novo.
(Adélia Prado)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos de luta e de brisa e de céu...
E eu, quero te servir a poesia numa concha azul do mar ou numa cesta de flores do campo. Talvez tu possas entender o meu amor. Mas se isso não acontecer, não importa.
Já está declarado e estampado nas linhas e entrelinhas deste pequeno poema, o verso; o tão famoso e inesperado verso que te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
Eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
(Cora Coralina)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Bom Dia

BOM DIA...

A vida pode ficar muito pequena
quando olhamos para ela como
olhar estreito.
O tédio acontece quando nos afastamos
da capacidade
de nos encantarmoscom as coisas mais
simples do mundo.
Porque para se estar aqui comum pouco que
seja de conforto na alma há que se ter riso.
Há que se ter fé.
Há que se tera poesia dos afetos.
Há que se ter um olhar viçoso.
E muita criatividade.

(Ana Jácomo)

Doida e Santa

Inaugurando a caminhada por essa terra, ainda desconhecida e que irei desbravar aos poucos.

A SERENATA
(Adélia Prado)
Uma noite de lua pálida e gerânios ele
viria com boca e mãos incríveis tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero e só vejo dois
caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exprobo o que não
for natal como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos, a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou
chegar ao balcão sem juventude?A lua, os gerânios e
ele serão os mesmos- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa