quarta-feira, 21 de julho de 2010

Doida e Santa

Inaugurando a caminhada por essa terra, ainda desconhecida e que irei desbravar aos poucos.

A SERENATA
(Adélia Prado)
Uma noite de lua pálida e gerânios ele
viria com boca e mãos incríveis tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero e só vejo dois
caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exprobo o que não
for natal como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos, a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou
chegar ao balcão sem juventude?A lua, os gerânios e
ele serão os mesmos- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa

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